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quarta-feira, 7 de julho de 2010

HARDCORE WEEKEND

Sábado
Show: Periferia S.A./Calibre 12/Presto?/Trassas
Local: Hangar 110
Data: 03/07/2010
Domingo
Show: Paura/Presto/Western Day/Still Strong
Local: Inferno Club
Data: 04/07/2010

Sempre assim, vários fins de semana de shows caídos e quando aparece é logo de enxurrada.
Mas excesso é melhor que falta certo? E vamos aos shows.
Como de costume a primeira banda serve pra tirar o povo do buteco da frente e colocar pra dentro do Hangar e nisso lá se vai pelo menos metade do show.
A banda de sacrifico dessa vez foi o Trassas que mandou um hardcore crossover bem legal e com muita energia, sempre com a frontline Priscila, mostrando que podemos e devemos ter mais meninas nas bandas e
principalmente nos vocais.
Na sequência com um pouco mais de publico, veio o Presto? que esta bem vivido e maduro.
Cuspiu um hardcore sem firula e bem chapado aquecendo o publico pras próximas duas bandas.
Não via o Calibre 12 a um bom tempo e nem sabia que a formação tava bem diferente. Da formação original temos Oscar na batera e Navau nos vocais.


Calibre 12

Nas guitarras agora tem o Falcon e Fernanda assumiu o baixo. Mas no palco que assume a parada mesmo é o Navau, que mandou vários petardos conhecidos pra galera que cantou junto e agitou demais, foi ótimo vê-los em plena força.
Pra fechar veio o Periferia S.A. que pra minha supresa não conta mais com o Betinho, um grande desfalque, mas no seu lugar tivemos Joselito, que parece veio pra ficar e a impressão que dá é que com a mudança o Periferia vai tocar e agitar mais, tomara, pois a banda é boa a beça.


Periferia S.A. - Jão

Seu diferencial é logo notado quando Jão entra no palco com a porra de uma corneta (que num sei pq todo mundo chama de vuvuzela... povinho paga pau) pegando fogo e com uma camisa da Seleção com um símbolo da Anarquia desenha e com fita isolante tampando o nome do camisa 9.
Ai se percebe como atitude faz falta a cena. Num basta só fazer um som de alerta e protesto, entrar no palco e tocar. Tem de sentir a raiva do sistema e isso sim pode mudar algo na cabeça do povo... foda-se FIFA, CBF, Dunga e essa política de tapar os problemas com a paixão do povo... Alagoas debaixo d’agua e todos só preocupados com a Seleção!!
De volta ao Periferia foi mesmo o melhor show da night muitos sons das antigas que mexem com o coração punk da veiarada que viveu os anos 80 em SP e muito sons e ordem de protesto e raiva.
Será que um dia vamos ter uma nova geração assim???
Nem fiquei muito depois do show, pois afinal a pegada continuaria amanhã no Inferno Club.
Tava na maior preocupação com o horário, atrasadão eram 18h15min e o cartaz marcava 17, mas ao chegar reparei, nada mudou na cena e o show tava mais atrasado que eu.
Cai pra dentro e me sinto simplesmente tiozinho, pois num conhecia mais ninguém, caray o que é parar de freqüentar uns anos, eu fui mas voltei, o resto quase todo só foi... triste.
Mas melancolia a parte duas bandas pra lá de novas pra mim: Still X Strong e Western Day.
O som começou com o Western Day, som bem desgraceira e na noia, com dois vocais eles arregaçam no som e definitivamente me impressionaram.
Quero ver de novo pra confirmar a qualidade.
SXS é uma banda SE que começou em 2007 e busca seu espaço. Uma pegada bem NYC e com um publico igual, mas que definitivamente inibe o resto da galera. Com essa coisa de CREW e FAMILY que na teoria é show de bola, mas na pratica acaba complicando.
Abriram uma roda pra meia dúzia agitar e ficar dando golpe de Capoeira, Muay Thay e Kick Boxing. Claro que se entra outros na roda os manos da crew fecham em cima... Pra mim quem perde é a cena escutei uns 3 ou 4 criticando esse tipo de roda.
Hardcore é de todos e a roda é pra todos, agite o som e num agite a gang.
A banda mandou bem e o discurso do vocal era bem legal, espero que da próxima vez o publico escute mais o que a banda tem pra dizer.
Presto ? que já tinha tocado sábado no Hangar mas tava inteirão e acho que como as bandas e publico eram mais hardcore, teve um show melhor e com muita empolgação e raiva, bom como sempre. Presto? É uma das bandas que atualmente ganha mais espaço na cena, ta com força.


Presto?

Pra finalizar Paura que ta lançando CD e embarcando pra uma nova tour na Europa.
Também gravou um vídeo clipe e pra isso se preparou bem e mandou um show fudido.


Paura

Misturando sons novos aos já conhecidos, lenvantou a galera, só num foi mais pq de novo o meio ficou pra poucos.
Fechou a night com chave de ouro e mostrou que vai arrebentar na tour. To curioso pelo clipe e por escutar o CD novo.
Feliz, mas cansado afinal foi um fim de semana hardcore pra porra!!

Flavio El Loco

quarta-feira, 3 de março de 2010

Review Show: Flicts – Hangar 110 – 27/02/2010

Show: Flicts, Garotos de Suburbio, Juventude Maldita e Sweet Suburbia

Local: Hangar 110 – São Paulo – SP
Data: 27/02/2010

Bem agora sim podemos falar que 2010 começou com o pé direito, pelo menos na cena atividades depois de uma pseudo parada (aconteceram vários shows nesse período e porisso não considero que a banda acabou).
Definitivamente a banda já tinha um publico fiel que crescia a olhos vistos, o cd deles estava na segunda prensagem e o mais importante criava discípulos e por conseqüência criou uma escola ou seja algumas bandinhas davam os primeiros passos no mesmo caminho do Flicts.
Pra cena perder um alicerce destes é muito complicado, pois num pais onde imperam sertanejo, axé e pagode uma grande banda de punk é como uma agulha no palheiro.
Queria sentir melhor o que estava por vir nesse retorno e decidi começar os trabalho com antecedência e no sábado anterior ao show fui ao ensaio deles.
Já nos primeiros sons do ensaio dava pra sentir o misto de ansiedade e vibração quando eles passavam cada musica. Estavam preocupados com o set list e como seriam recebidas as musicas novas e além disso ralavam pra fazer um show redondinho, sem erros.
E como não podia deixar de ser absorvi essas sensações e isso fez com que passasse uma semana desejando a chegada da hora do show.
Pra incrementar isso tudo, lia e participava diariamente do Twitter do Flicts - http://twitter.com/Flictsoficial - (gerenciado pelo Arthur) e novamente era chamativa a vontade dele de voltar. Uma coisa bem verdadeira e transparente.
Nesse clima de pura ansiedade, fui cedo pro Hangar afinal queria ver se o publico compartilhava dos mesmos sentimentos. Ao embicar o carro na Rodolfo Miranda, a primeira mensagem: uma enorme galera se aglomerava em frente a botequinho e dominava pelo menos metade da rua. A noite prometia e o sentimento de festa se espalhava pelo ar.
Já no Hangar e com o povo ainda entrando, sobe ao palco o Sweet Suburbia. Esse foi o meu primeiro show dos caras e tive uma grata surpresa, banda bem ensaiada, com vocais e melodias bem harmoniosas.
As musicas bem no clima das bandas 77 com uma pitada de MOD. Letras todas em inglês que é uma coisa que não me empolga muito, mas no caso deles também não atrapalha. Sons sempre melodiosos e alguns dançáveis, destaque pra Brotherhood, muito jeitão de que vai ser o hit, da galera. Foi a banda perfeita pra já ligar o cérebro dos que estavam chegando.

Sweet Suburbia

Já numa pegada mais nervosa o Juventude Maldita ,em trio, sobe e começa a mexer com a cabeça, pernas e braços do publico e se iniciam as primeiras rodas. Demente já tem uma interação mais forte com o publico e foi mesclando discursos ao meio das pauladas sonoras e políticas do Juventude. Só to achando falta de uns sons novos, na linha dos antigos sucessos, tipo “Explorados” , mas vê-los no palco abrindo pro Flicts me remeteu aos anos de 2001 a 2003 quando isso era comum no Hangar ou Black Jack, talvez essa nostalgia acione algo no Demente pra que novas canções do Juventude venham incitar nossas mentes.
Bem agora com a casa já lotada vinha uma das big atrações da noite, Garotos de Subúrbio.
Já tinha ouvido falar por cima desse projeto que mescla integrantes dos Inocentes das antigas com a formação atual. Se ligue:

Callegari, Guitarra - fundou o Inocentes junto com o Clemente
Ariel, Vocal - participou da 2ª formação do Inocentes, hoje mantém o Invasores de Cérebro
Anselmo, Baixo – Formação atual do Inocentes
Nonô, Bateria – Formação atual do Inocentes

Estava curioso com um pé atrás, pois não sabia se era um projeto porreta ou um daqueles que apenas reúne os velhos amigos pra tocar um som e curtir os velhos tempos. Algumas bandas da velha guarda do punk tem feito uns “retornos” e se mostram meio grudadas ao passado e de novos só a barriga dos componentes.
Mas o show começou e meus temores se foram rapidamente e mais rapidamente substituídos por um forte vontade de agitar todos os sons. Ariel esta 100% na ativa e cara, vou te falar ele é um dos vocais mais carismáticos do punk rock nacional, Anselmo parecia mais solto que nos Inocentes e como resultado tivemos um show cheio de energia e só com petardos que fizeram muitos de nós dar os primeiros passos no Punk Rock.

Anselmo-Baixo e Ariel-Vocal dos Garotos de Suburbio.

Quanto mais os sons iam rolando a energia contagiava a velharada, como eu, que se sentia nos antigos porões do punk e a molecada nova que descobria como tudo começou, mas sem gordura ou miopia e sim com muita experiência.
Experiência essa que foi ao máximo quando Clemente também se junto a banda e levantaram o Hangar ao som de Pânico em SP, foi de arrepiar e se num tivesse com a câmera nas mãos iria pogar junto com o povo, foi lindo demais.
Bem nem preciso mais falar que como estava o clima pro Flicts entrar e ao se abrirem as cortinas do Hangar todos os presentes tiveram a certeza, que eles tinham de voltar, pois a partir daí publico e banda foram uma coisa só e posso dizer que foi um show divisor de águas, sinto que vamos ter um retomada no punk rock brasileiro e essa culpa vai caber ao Flicts.
Como em todos os shows, foi um “susssscesso” (no melhor estilo Arthur) atrás de outro Briga de Bar, Pauliceia, Busão, Ele Não Quer Crescer, Amigos, Despedido, Canção de Batalha e por ai vai...até mesmo a nova “Meu Bairro” que mostra um Flicts mais rock foi imediatamente absorvida e já entoada pela galera que estava extasiada. O cover da vez era Pretty Vacant dos Pistols e tá certo cover é assim mesmo, num pode virar hit da banda, é só uma homenagem e tem de ir mudando.

 Rafael/Bateria - Flicts  


                                                                  
            Arthur/Guitarra - Flicts


Um longo set de pelo menos 20 sons, longo pra banda que estava morrendo no calor de 8000oC do Hangar, mas que se sentia ser um presente pro publico que como se pode perceber não sumiu nem os abandonou nesses 5 anos de “quase” ausência.
E o publico ia mais longe, pois berravam por Cerveja e We Will Never Walk Alone... musicas que marcaram época da banda.
Bem, fim de show e finalmente o Hangar todo respira aliviado, pois o Flicts voltou de verdade e toda a ansiedade virou felicidade, alegria e suor e certeza que o sangue vai continuar a correr mais forte nas veias quando eles entrarem nos próximos shows.

“Que o coração continue batendo
Que as amizades continuem vivendo
Que os amores continuem sangrando
E que o coro continue cantando”

Bem vindos de volta amigos.

Flavio El Loco